A atual correção do mercado parece longe de acabar. O que muitos acreditavam ser uma correção pré-Natal se tornou uma correção comum de Janeiro, e agora se arrasta para Fevereiro. A contínua queda no preço do BTC não está apenas arrastando junto consigo todo o mercado, mas também causando pânico entre os investidores.

O mercado também está sendo observado de perto por instituições financeiras que, apear de estarem dispostas a arriscar uma entrada no mercado de criptomoedas no ano passado, agora estão de volta à defensiva. A queda nos preços sofrida pelo Bitcoin com certeza está tendo um grande efeito nisso. Apesar de que cada vez mais pessoas estão interessadas em moedas virtuais e em entrar no mercado, bancos estão cada vez menos dispostos a permitir tais tipos de investimento. As medidas mais recentes foram tomadas por bancos americanos e ingleses, proibindo a compra de Bitcoin e criptomoedas com cartões de crédito.

NA TERRA DO TIO SAM

Tudo começou na sexta feira, dia 2 de Fevereiro, quando o Bank of America começou a recusar transações com cartões de crédito em diversas corretoras de criptomoedas. Ainda no mesmo dia, o Citigroup informou que também estaria impedindo comprar de criptomoedas com cartões de crédito. Uma porta-voz do Citigroup, Jennifer Bombardier,disse:

“[o banco] tomou a decisão de não permitir mais a compra de criptomoedas com cartões de crédito. Nós continuaremos a revisar nossa política conforme o mercado evolui […]”

No sábado, foi a vez da JP Morgan adotar a mesma política. Em uma declaração à CNBC, uma porta-voz da JP Morgan disse:

“No momento, não estamos processando compras de criptomoedas usando cartões de crédito, devido à volatilidade e risco envolvidos. Nós iremos revisar o assunto conforme o mercado evolui.”

As notícias vieram conforme o preço do Bitcoin despencava para menos de U$8500 pela primeira vez em dois meses.

CRIPTO SALVE A RAINHA?

Seguindo o “exemplo” dos Estados Unidos, bancos do Reino Unido estão tomando as mesmas medidas para garantir que investidores não acabem se endividando. O Halifax, Banco da Escócia, MBNA e Lloyds, todos parte do Grupo Bancário Lloyds, anunciaram que não iriam mais aceitar compras de criptomoedas com cartões de crédito. De acordo com uma porta-voz do grupo:

“[…] nós não aceitamos transações de cartões de crédito envolvendo a compra de criptomoedas. A medida tem como foco proteger os consumidores de criarem grandes dívidas ao comprar moedas virtuais no crédito, caso seu valor despenque.”

Preocupações vêm surgindo entre fornecedores de cartões de crédito pois seus clientes têm usado cada vez mais cartões de crédito para financiar contas em corretoras online. Entretanto, outros bancos disseram na segunda feira que irão continuar a aceitar cartões de crédito para a compra de criptomoedas. Uma porta-voz do Barclays,  por exemplo, disse:

“Nós revisamos constantemente nossas políticas de proteção aos clientes, como parte de nossa responsabilidade como banco e instituição de empréstimo, e estamos mantendo esse assunto sob constante análise. No momento, clientes do Reino Unido podem usar tanto seus cartões de crédito quanto de debito do Barclays para comprar criptomoedas de forma legítima.”

MEDO DO MERCADO RESPINGA NOS BANCOS

Permitir a compra de criptomoedas com cartões de crédito pode criar grandes problemas para bancos e instituições de crédito. Se um investidor que pega um empréstimo ou usa seu crédito faz a aposta errada, ele não terá como pagar. Além disso, fornecedores de cartões de crédito que permitem transações com criptomoedas podem ficar expostos a um risco mais alto que o normal, devido à enorme volatilidade dos ativos.

Um problema com essa medida é que a proibição das compras com cartões de crédito pode piorar a pressão no mercado, ao tornar mais difícil para novos investidores ingressarem nele. Outra preocupação crescente é se outros bancos irão seguir a tendência. Teremos que esperar para saber se, quando a correção passar, essas proibições serão removidas.