O crescimento exponencial do mercado de criptomoedas é algo impossível de não se notar. Antes da explosão em sua popularidade, as moedas digitais eram consideradas apenas uma moda, ou assunto de geeks e nerds. A imensa revolução que a tecnologia blockchain oferece tomou aos poucos o cenário mundial, conforme as mais diversas áreas e indústrias viam o potencial e os benefícios de se adotar tal tecnologia. E com ela, as criptomoedas também ganharam enorme exposição e adoção.

Um dos aspectos mais interessantes desse enorme crescimento no mercado foi o surgimento de novas moedas, plataformas e serviços, cada um oferecendo algo diferente e buscando participar do mercado. Além disso, cada vez mais pessoas se interessam pelo assunto, seja pelo aspecto tecnológico ou em busca de lucros e ganhos financeiros.

Entretanto, um lado negro desse setor também vem crescendo, com o aumento de crimes cibernéticos, golpes e fraudes. Essas atividades continuam a aparecer cada vez com mais frequência, justamente por que na mesma proporção cresce o número de pessoas ansiosas por investir, mas que o fazem sem estudar ou pesquisar o mercado. Um dos golpes financeiros mais antigos que existem e que vem crescendo assustadoramente no mundo das criptomoedas são as pirâmides, ou esquemas Ponzi.

Nessa matéria, vamos apresentar uma entrevista exclusiva com o GAP, um grupo de combate às  pirâmides no Brasil, e que pela primeira vez aceitou falar com um portal de notícias sobre suas atividades.

CRIPTOFARAÓS?

Imagine que alguém lhe diz que você pode conseguir muito dinheiro. Basta pagar uma taxa de, digamos R$50. Após pagar essa taxa, você entrará em um grupo de investimento e precisará convidar mais pessoas para o grupo. Você então começará a receber uma quantidade de dinheiro a cada período de tempo e uma parcela da taxa paga por essas pessoas será destinada a você, assim como uma parcela menor da taxa paga pelas pessoas que elas convidarem. Todo mundo ganha! Parece uma ótima ideia não é?

Na verdade não. Essa forma de “investimento” é conhecida como pirâmide. Em uma pirâmide, os níveis mais baixos servem para “alimentar” os mais altos. As taxas de entrada pagas pelos novos participantes servem para pagar os dividendos dos membros mais antigos. O problema é que conforme novas pessoas entram, mais dinheiro é necessário para pagar os antigos e novos dividendos. Mas o que acontece quando nenhuma pessoa nova entra no esquema? A pirâmide desmorona, e os membros do topo desaparecem, levando consigo grandes quantidades de dinheiro e deixando uma enorme quantidade de vítimas sem dinheiro nenhum.

Tais “empreendimentos” dependem de um crescimento exponencial de novos participantes para se manterem funcionando. Além disso, as técnicas de marketing usadas por empresas e projetos são pirâmides buscam conquistar novos usuários com promessas de “lucro garantido”, e “investimento sem risco.” A ganância e a falta de conhecimento permitem que tais golpes continuem fazendo vítimas todos os dias.

A RESISTÊNCIA NO BRASIL

No Brasil, pirâmides já são velhas conhecidas da população. Diversos esquemas já entraram em colapso ao longo dos anos, mas o golpe continua sendo feito e gerando vítimas e prejuízos enormes. Foi com o intuito de alertar os consumidores que o GAP foi formado. O grupo busca alertar investidores sobre os perigos desse tipo de golpe, educar a população sobre como eles funcionam e como evitá-los e denunciar esquemas que estejam em funcionamento.

DowBit Brasil: Qual foi a inspiração para a criação do GAP? Houve algum caso em particular que motivou vocês a formarem um grupo mais coordenado para combater esses golpes?

GAP: Já defendíamos a comunidade BitcoinBrasil (grupo do Facebook) de golpistas e postagens sobre esquemas, mas ocorreu uma situação em que todos nós, de maneira voluntária, nos voltamos contra uma postagem de um figurão do mercado que estava oferecendo análises e montando uma empresa sobre cripto. Virou uma zoação e aquele post durou dias, até que fomos atrás de informações sobre esse figurão. Foi aí que percebemos que nosso trabalho foi efetivo e gratificante. Foram surgindo outros casos e começamos a nos organizar; criamos o grupo, a fanpage, criamos o nome, a logo…. foi rápido.

DBB: Vocês possuem uma metodologia investigativa? Como escolhem quem investigar, onde direcionar o foco da equipe e que denúncias priorizar?

GAP: Temos uma solução proprietária onde catalogamos empresas, pessoas, perfis, dados como emails, telefones, endereços e outras variáveis. Quando somos acionados por denúncias ou por alguma postagem nos grupos da comunidade, entramos em ação. Temos também grupos privados no WhatsApp e Telegram. Estamos concluindo o portal do GAP com a versão pública desta ferramenta de cruzamento de dados, uma ferramenta de auxílio à denúncia aos órgãos, blacklist dinâmica, notícias e interação total com as redes sociais. E isso tudo é feito de maneira voluntária.

DBB: Quais são as consequências dessas atividades para vocês?

GAP: A perseguição é grande, ligações, ameaças de morte… Eu por exemplo sou um anônimo na Internet. Tornei privativo todo meu perfil, não tenho família, histórico, fotos, locais, inclusive mudei de país. Hoje vivo entre os EUA e o Brasil. Já recebi ligações de dentro de presídio com ameaças à minha família. Piramideiros são bandidos, criminosos perigosos. Mas somos firmes em nosso propósito: combater pirâmides, independente de quem esteja envolvido.

DBB: E após a investigação e as denúncias, o que acontece? Como os órgãos responsáveis recebem suas denúncias? Eles se propõem a investigar ou vocês costumam ouvir muito a frase “Vamos averiguar.”, e fica por isso mesmo?

GAP: Quando enfim denunciamos, deixamos de ter o controle. Daí em diante somos vítimas da burocracia, dos interesses ocultos, da boa vontade do estado. Sofremos como todos mas cabe a nós e ao público fazer novas denúncias, seja em outros estados, em Brasília, na página de políticos, em comentários de sites de grande repercussão… esses locais.

DBB: E com esse aumento exponencial tanto na popularidade quanto na aceitação das criptomoedas, como vocês estão se preparando para as dificuldades que com certeza surgirão e o que esperam que mude no cenário brasileiro?

GAP: Estamos profissionalizando o GAP, a transformação em uma ONG está nos planos, assim como a contratação de pessoas que já fazem parte do grupo para trabalharem no GAP. Estamos buscando convênios com órgãos de segurança (já iniciamos tratativas) e investimento em tecnologia. Queremos nos transformar em uma grande central de acolhimento de denúncias, e com a profissionalização ganhar força para cobrar de maneira mais efetiva o andamento das investigações. Ainda existem muitos casos em que a justiça chega atrasada. Nosso objetivo é evitar isso. Queremos seguir com o trabalho sério que fazemos e corresponder à altura aqueles que confiam no auxílio do GAP.

DBB: Pra terminar, que recado ou mensagem vocês deixariam para a comunidade de criptomoedas no Brasil?

GAP: Não existe promessa de lucro fixo em um mercado tão volátil, recente e em formação como o de criptomoedas. Um dos fundamentos da tecnologia é a segurança que ela proporciona, portanto, não confie seus Bitcoins a ninguém. Como fazer isso? Estudando, conhecendo os fundamentos da tecnologia, estando no controle de tudo. O que passar disso, deve ser observado com reservas.

COMO SE PREVENIR

Em um mercado onde grandes lucros são possíveis e rendimentos enormes podem acontecer de um dia para o outro, é imperativo saber onde, como e quando investir. Mas o melhor investimento que qualquer pessoa pode fazer é em conhecimento. Lembre-se sempre de ler sobre o projeto ou plataforma no qual planeje investir, pesquise sobre a equipe de desenvolvimento, sobre os fundadores, faça seu dever de casa.

Fique atento para os famosos sinais de que um investimento é uma pirâmide:

  • Cobrança de taxas para se fazer parte da plataforma
  • Promessa de lucros enormes e garantidos
  • Garantia de investimento sem risco
  • Exigência de se trazer mais investidores para a plataforma
  • Garantia de dinheiro fácil ou renda passiva
  • Estrutura de comissão, ou matriz de comissão
  • Ausência de dados sobre os criadores ou responsáveis pela plataforma

E jamais se esqueça de uma das regras de ouro no mundo das criptomoedas: Se parece bom demais para ser verdade, não é verdade!

A DowBit apoia a iniciativa do GAP e deseja boa sorte ao grupo nessa importante missão de alertar e proteger a comunidade de criptomoedas no Brasil.