A Rippex foi por um bom tempo um dos serviços de gateway para a rede Ripple mais populares do Brasil. A plataforma oferecia serviços de depósito reais nas contas Ripple dos usuários além de fornecer também uma carteira Ripple, para que o usuário pudesse armazenar seus XRP. Apesar da popularidade e de ser uma das pouquíssimas formas de se comprar XRP diretamente com o real, a plataforma anunciou na sexta feira o encerramento de seus serviços.

PORQUE PAROU? PAROU PORQUÊ?

A Rippex foi criada e era mantida pela Netmin Intermediação de Serviços e Negócios LTDA, situada em São Paulo.

Na sexta feira (02/02), a empresa divulgou uma postagem em seu blog anunciando o encerramento das atividades. Ao ler a postagem, fica impossível saber quais as verdadeiras causas da interrupção do serviço no Brasil. O que surpreendeu os usuários foi a súbita decisão, e a falta de uma razão concreta para tal. Na verdade, foi a falta da divulgação da razão, seja ela qual for.

Na postagem no blog, a empresa menciona:

“[…]identificamos um momento promissor para a ampliação dos negócios, no entanto, é necessário reestruturar nossos modelos para aumentar o impacto dos nossos produtos e serviços, visto que o modelo de gateway atualmente tem um impacto limitado.”

Apesar da frase soar como uma espécie de encerramento temporário, com o propósito de melhorias, um pouco mais abaixo no texto podemos ler:

” Por isso, viemos a público comunicar o encerramento das atividades do projeto Rippex, o gateway Ripple do Brasil.”

Essa segunda parte já apresenta um tom mais definitivo. Entretanto, na verdade é impossível saber se de  fato o projeto irá retornar à ativa no futuro, e se sim, quando isso ocorrerá. Um dos aspectos mais interessantes da postagem foi a declaração de que a plataforma não havia sofrido algum tipo de ataque ou que estava em risco de falência:

” Não há risco de insolvência, não sofremos nenhum tipo de ataque[…]”

COMO FICAM OS CLIENTES?

Apesar do mistério por trás do encerramento, os clientes foram tranquilizados. A plataforma se comprometeu em proteger os dados e ativos de todos os clientes e criou um cronograma para que todos tenham tempo de sacarem seus ativos e se prepararem para a interrupção do serviço.

O cronograma foi dividido em 3 fases, sendo que na primeira, “saques e depósitos poderão ser feitos normalmente.” Na segunda fase, clientes estarão restritos apenas à saques, sendo que depósitos não serão mais aceitos. A terceira e última fase trará um congelamento total de todos os saldos ainda presentes na plataforma. A empresa também publicou um fluxograma para que os usuários entendam o que devem fazer.

fluxograma rippex

PISTAS EM DEZEMBRO?

Uma pista do que realmente pode estar acontecendo por trás do encerramento pode ser encontrada em uma postagem no blog da empresa no dia 15 de Dezembro. Intitulada “Incidente Depósitos”, a postagem menciona problemas na plataforma, o que ocasionou pagamentos em reais em duplicidade para alguns usuários. O incidente afetou depósitos feitos em reais, fazendo com que clientes tivessem o valor em dobro creditado em suas contas.

“Nos últimos dias, devido a uma falha em nosso sistema e o grande volume de depósitos, diversos pedidos de depósito de BRL e algumas conversões de BRL para XRP foram pagos em duplicidade. […]
Esse incidente afetou apenas depósitos em BRL […]”

Na publicação, a Rippex solicitou aos clientes que receberam esses pagamentos em duplicidade que retornassem os valores a mais. Apesar da postagem alegar que muitos clientes já haviam se prontificado a colaborar e devolver os valores, não se sabe a extensão do problema e nem quantos clientes não devolveram os pagamentos.

O mais interessante é que nessa postagem, a empresa citou as mesmas frases usadas na publicação a respeito do encerramento das atividades:

“Não há risco de ficarmos insolventes.

Não fomos invadidos.”

É claro que pode não haver nenhuma relação entre os dois fatos. Como a empresa não mencionou nenhum motivo pela decisão da descontinuação dos serviços, além de uma suposta reestruturação, é provável  que nunca saibamos se há realmente alguma relação entre os dois incidentes.